Vela na naite bombada

Vela na naite bombada: Barrados no Baile, Bar da Rampa, Soul de Santa…

Barrados no Baile

Medo, muito medo... (foto roubada do http://festa90.blogspot.com/)

Depois de devidamente sugado até não poder mais, os anos 80 vão dando lugar aos 90 na naite bombada carioca. A festa Barrados no Baile aposta firme no pop e nas tosqueiras daquela década, tipo Macarena. Mal comparando com a Ploc dos primórdios, que era até interessante, a BB arrisca muito pouco. O ponto alto é o funk. O rock fica só pro final, super clichê: Smeel like teen spirit, Sweet child o´mine… E na boa: deixar Molejo de fora é uma falha imperdoável. Mas pra galera soft playboy, público da festa no Cinematheque, serve bastante. Ao menos não esbarrei com ninguém fantasiado de Power Ranger ou de Banana de Pijama. Um dos DJ´s é repórter do programa Fuzuê, que cobre de forma um tanto quanto eclética a naite bombada carioca. Cerveja cara.

Vinil é arte

Encaro esse culto ao vinil como algo para pessoas excêntricas e metidas a sofisticadas, como o Ed Motta. Mas a galera da Vinil é arte, que vem rolando na Casa de Jorge, na Lapa, demonstra uma paixão aparentemente autêntica pela bolacha. Até porque tem que gostar muito pra, com pouca luz, acertar a agulha na faixa certa. Festa que toca Puteiro em João Pessoa, dos Raimundos, pra mim tem moral. Assim como uma do Mundo Livre que eu não nunca tinha ouvido numa pista, A bola do jogo. A frequência é daquela galeria descolada, que ainda deve ter vitrola em casa. Cerveja barata, mas só tem Itaipava.

Soul de Santa

Não me ligo muito nesse papo de “festa com gente bonita”, mas nesse quesito a Soul de Santa peca – pelo menos na vez em que eu fui. Só um exemplo: na hora em que Elizeth Cardoso cantava “tem gente que já está com o pé na cova”, dei de cara com uma mulher que representava bem esse trecho de Eu bebo sim. A sede da SS é um casarão interessante, aparentemente habitado quando não há festas. Foi curioso notar no segundo andar a porta de um quarto encostada e um moleque lá dentro, no seu quarto, enquanto a festa rolava solta. Não dá para dizer que o clima é despojado. Tanto que um cara, de calça de moleton do Flamengo, sem camisa e de chinelo pegou uma das poucas mulheres interessantes. A SS é realmente um tanto quanto louca.

Estrela da Lapa

Na semana santa recebi uma galera do Recife ávida por um samba na Lapa. Com o Democráticos fechado, as filas no Rio Scenarium e no Carioca da Gema, o Estrela da Lapa acabou salvando a situação. Lá, o Galocantô mandava o seu já manjado, porém competente e honesto samba. O público do lugar é uma espécie de happy hour de dia de semana (temo que isso não explique direito). Não há casais dançando, e os que dançam, dançam mal (como se eu fosse o rei da malemolência). Mas o melhor da noite foi o DJ Aílton Áreas. Não me lembro de ter ouvido tantos ritmos diferentes em uma noite só. O cara não tem vergonha de enfileirar todos os hits do Black Eye Peas, manda os pancadões do funk e no final da noite alopra com House of pain (Jump around) e Beatsie Boys (No sleep till Broklin). Fui embora quando começou o set grunge. DJ Aílton Areas é garantia de diversão.

Bar da Rampa


Se você souber de alguma festinha ou de um samba no Bar da Rampa do Clube Guabanara, não deixe de ir. Se o som, a galera ou qualquer outra coisa não lhe agradar, o visual da Enseada de Botafogo garante a presença. Vale a pena ficar até o amanhecer, sentar no deck e ver o Pão de Açúcar surgindo na sua cara. A entrada geralmente é baratinha, 10 a 15 reais, e a cerveja é de garrafa. Peguei a parte final de uma festa com uma galera descolada, aquela super antenada com as novidades e ligada nos clássicos, manjou? No som, Feira de Acari, do MC Batata, e Mutantes. Se ainda não bombou, tem tudo pra bombar.

Discoteca Básica

O flyer da festa era bem atraente. Capas de discos clássicos, como Nevermind e Cabeça Dinossauro. E em um lugar que abriga várias festas bacanas, a Casa de Jorge, na Lapa. O DJ manda até um feijão com arroz interessante, Gorillaz, Clash. Tudo caminhava razoavelmente bem até o show de uma banda inspirada no Joy Division. O vocalista falava umas coisas esquisitas, daí vinha um som deprê, bem semelhante aos fãs do grupo. Seria melhor se a banda seguisse Ian Curtis e se matasse no final do show. Começo vacilante pra festa, cujo nome foi muito bem inspirado na coluna da finada revista Bizz. Que os produtores escolham uma atração melhor da próxima vez (ou nem tenha show) pra festa não virar passado.

E…

Casa da Matriz sofrendo com a falta de luz. Que fase! Furnas tá ali do lado. Por que não fazem um gato?

Ardida virou festa grande e já não cabe na Casa Rosa. Tal como a Maracangalha, que no dia 20 ocupa o Circo Voador com o Exalta Rei, bloco que anuncia horário, mas sai em outro. É aniversário do Roberto Carlos. Já pensou no clima de comoção se a Lady Laura capota?

Parabéns à molecada de 20 anos com suas festas de nomes fofos – Chocolate Party, Ice Cream – e filas gigantes. Graças a vocês, que colocaram a mão na massa, a noite do Rio foi invadida com estilo pela pirralhada. Se eu tivesse 10 anos a menos também estaria nessa.

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Geral

Chuva na TV Globo: de Dercy Gonçalves à Fátima Bernardes

Dercy, no tempo em que levantou a bola da Globo

Nesta semana em que o Rio ficou debaixo d’água a mídia comparou a calamidade atual com outras do passado. Esta teria sido a pior enchente em 40 anos. A referência era o temporal do verão de 1966, que teria sido o pior até então. Naquela época, a TV Globo era uma novata entre as TV´s Tupi, Rio e Excelsior. E foi graças àquela calamidade que começou angariar audiência.

“Era sensacionalismo, mas a audiência batia lá em cima. A emissora estava se lançando, precisava daquilo para decolar”

Para ganhar o público a Globo apostou firme nas atrações popularescas, como Chacrinha, Dercy Gonçalves e Jacinto Figueira Júnior, o Homem do Sapato Branco. Dercy chegou à emissora de Roberto Marinho pelas mãos da dupla Boni & Walter Clark, que conheceu na TV Rio. “Dercy de Verdade” ia ao ar nas noites de domingo com esquetes, paródias de novelas, música e jornalismo. Um dos quadros de maior sucesso era o “Consultório sentimental”, que atendia pedidos de cadeiras de roda, óculos e bengalas. Assistencialismo que atraía muita gente para a porta da emissora.

“Naquela época a Globo era povo, precisava da prostituta que eu era da minha arte para eles aprenderem”

Com a enchente de 66, Dercy comandou uma bem sucedida campanha de doação de mantimentos. Ela ficava da sacada da emissora, no Jardim Botânico, dando informações sobre o bairro, um dos mais atingidos pelo temporal. A audiência aumentava na medida em que o nível da água baixava. O sucesso foi tão grande que ela ganhou outro programa, às quintas-feiras, “Dercy Espetacular”.

“Ofereci o que queriam: tragédia e humor, gente bonita e gente feia, o bom e o ruim, esplendor e miséria. Dercy de verdade era a cara do Brasil”

No começo da década de 70, já com audiência, a emissora promoveu o padrão Globo de qualidade e demitiu Dercy, Chacrinha e Raul Longras, entre outros apresentadores campeões entre o populacho. Os diretores alegavam que em Brasília havia uma pilha de processos contra a apresentadora. Era bravata e Dercy processou a Globo.

Ontem, quinta-feira, dia 8 de abril, semana em que o Rio sofreu com uma nova tragédia natural, lá estava Fátima Bernardes, saída de trás da bancada do Jornal Nacional, ao redor do morro da Bumba, em Niterói. “Perdeu totalmente o timing do jornalismo de rua, constrangimento puro”, como  vaticinou o jovem @mitzudiz. Mas tudo bem, Fátima. A Globo não depende de você como um dia dependeu da Dercy.

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Nas horas vagas Vela pesquisa o grotesco da cultura brasileira

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O dia em que eu...

O dia em que um cara vestido com a camisa do Flu me assaltou

Clichê dos clichês

Para ficar mais curto e charmoso, o título desse texto poderia se chamar “O dia que eu fui assaltado por um tricolor”. Mas não. Como disse um amigo meu, flamenguista, o cara deveria ser um rubro-negro que assaltou um tricolor, o matou e tomou a camisa dele.

Saía do samba na Pedra do Sal, no pé do Morro da Conceição. Era quase 1 da manhã, de segunda para terça-feira. Resolvi pegar uma carona rápida num táxi com um amigo que ia para Tijuca. Fiquei na esquina da Presidente Vargas com Rio Branco e andei até o ponto mais perto, na PV. Só havia mendigos dormindo ao redor do ponto, pouco iluminado. Passou um buzão que não me servia. Passou um táxi, que eu dispensei. Algo que havia acontecido meses antes ali me deixava com uma falsa segurança.

Meses antes…

Fui ao teatro no CCBB com a ex-namorada num domingo à noite. Nos encontramos no metrô da Uruguaiana e fomos caminhando sob as marquises da Presidente Vargas. Atravessamos uma horda de mendigos, a maioria já deitados ou encostados nas paredes e nos portões cerrados dos prédios. O máximo que um deles fez foi pedir um trocado. A coragem e a inconsequência me dominavam. Atravessamos a Rio Branco e ali, na lateral da igreja da Candelária, a mesma da chacina, uns três pivetões, envoltos a cobertores, levantaram e nos cercaram. Um deles puxou a bolsa dela, que estava comigo, mas eu não larguei.

Seguimos em frente achando que o pior já havia passado. Porém, poucos passos depois, no mesmo quarteirão, um cara de bermuda, camisa e tênis, que de início não apresentava ameaça, se aproximou, tirou uma faca de uns 30 cm debaixo da camisa e exigiu a bolsa. Ainda acometido da coragem e inconsequência, empurrei a ex e gritei “corre!”. Diante do marginal, tentei driblá-lo tal qual um Neymar ou um Wellington Silva. Não sei se foi porque eu apresentei resistência, mas o sujeito desistiu. Segui em frente, reencontrei minha partner e ainda cruzamos com um casal gringo. Tentamos alertá-los do perigo, mas eles seguiram pelo mesmo caminho que viemos.

Acham que o perigo havia passado? Não. A peça em questão era a da Clarice Lispector. Uma bomba que até a ex, uma estudiosa da autora, detestou.

Sensibilizada com o perigo que enfrentei para prestigiá-la, Lispector faz o sinal da paz

De volta ao ponto de ônibus…

Percebi que um sujeito se aproximava. Mas quem iria me assaltar depois do que tinha acontecido? Me sentia imune, tomado por uma segurança inconsequente. Não era um, mas dois, vindo de direções diferentes. Um deles, usando uma camisa falsificada do Fluminense, foi logo pegando a minha camisa, na altura da barriga, e me apontando uma faca, menor do que a que eu havia enfrentado meses antes. Mas eu estava imobilizado. Gritavam pela carteira e pelo celular. “Porra, eu sou tricolor!!! Tricolor assalta tricolor? Que vacilo!!!”, apelei pateticamente. O vacilo era meu, de estar dando aquele mole, implorando para ser assaltado. O segundo mexeu nos meus bolsos. Comecei a gritar, agora como se eu estivesse dirigindo o meu próprio assalto. “Tira só o dinheiro, deixa os documentos!!!”. “Deixa o chip do celular!!!”. A dupla foi embora com 20 reais e meu celular, com o chip que um deles tentou tirar com a boca, mas não conseguiu. Um sujeito, que se identificou como segurança do tribunal chegou depois. Uma moça ainda me ofereceu dinheiro para a passagem. Recusei e agradeci. Tinha Rio Card. Caminhei tenso, até a Rio Branco, sem sinal de polícia, onde peguei um ônibus.

Ah, sim: na véspera o Fluminense havia perdido para o Flamengo por 5 a 3…

A volta à Pedra do Sal pós assalto

Veio o carnaval e na volta de Recife ainda não tinha ido à Pedra do Sal. Até a segunda-feira da última semana. Acabou servindo para me despedir de uma pessoa muito especial, que foi morar fora do Brasil. Na hora de ir embora, fui até o primeiro ponto de ônibus da Rio Branco, logo depois da Praça Mauá, sempre movimentada. Fiquei atento ao redor. Enquanto esperava pensava nos perigos e nas despedidas da vida… O buzão chegou. Passei pelo ponto onde fui assaltado. Além de bastante iluminado, havia carros da PM e do Exército, além de um ônibus aparentemente batido. Depois soube que se tratava de um acidente de trânsito de um motoqueiro militar que fazia a escolta do Lula. Mais seguro, impossível.

Na véspera o Fluminense havia vencido o Botafogo por 2 a 1, de virada.

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Geral

Vela no carnaval de Pernambuco 2010

Banheiros orgânicos de Olinda aprovados / Ladeira da Misericórdia

Há um grito de guerra comum no carnaval carioca que diz que o Rio é melhor que Salvador. Besteira. O carnaval baiano é diferente – tipo, é uma merda mesmo. Se há uma comparação a ser feita é entre Rio e Pernambuco – mais precisamente Olinda.

Este ano finalmente pude conferir ao vivo os frevos e maracatus nas ladeiras de Olinda, uma Santa Teresa elevada à décima potência. É como se fosse um Céu na Terra, a galera toda fantasiada, mas com blocos passando a toda hora, sem o perrengue de não conseguir ouvir o que estão tocando.

O fato é que em 2011 é bem possível que cantarei “Voltei Recife, foi a saudade que me trouxe pelo braço…”

Colombinas, entre elas o Japa, sucesso incondicional em Olinda

Show de fantasias: anjo x diabo / Banheiro ambulante

No mundo dos smurfs / Bloco de pífaros progressivo

A atmosfera das ladeiras de Olinda é completa com cerveja barata – latão de skol a 2 reais e latinha, a 1. Na verdade nem precisava de álcool pra cometer atitudes como essas:

Inspirado em Ali G, peguei o megafone de um padre e mandei o recado: “ALÔ BANDO DE FILHOS DA PUTA!!! VIVA O CARNAVAL DE SALVADOR!!!”. No que fui prontamente vaiado.

Duas garotinhas cantavam animadíssimas o hit de Ivete Sangalo, quando me aproximei e ensinei a versão hardcore: “COMIGO É NA BASE DA PORRADA!!! COMIGO É NA BASE DO HORROR”. No que elas prontamente fizeram cara de cachorro que enfia o rabo entre as pernas.

Dizem que os blocos noturnos de Olinda são caídos. Comprovei isso na sexta à noite, qdo mal começou um – tocando axé! – e a porrada estancou, a ponto dos caras no microfone ameaçaram não sair e perguntar se queriam diversão ou briga. Entre ouvir axé e ver o bloco acabar, não tive dúvida e bradei:  EU QUERO É PORRADA!!! No que os seguranças do bloco prontamente me olharam atravessado.

Freddie Mercury no Recife Antigo / Galo da Madrugada só durou 15 minutos antes da retirada

Momento sublime do carnaval: saí mais cedo de Olinda rumo ao Recife Antigo para conferir o Quanta ladeira, bloco de putaria comandado por Lenine. Além de só falar de maconha e comer o cu do outro, as músicas sacaneiam gente (?) como Michael Jackson (tomou no cu!), Geysi e Zé Roberto Arruda, Dilma, Zé Serra…. Procurem no youtube mais próximo versões da Nação Zumbi como:

PRA COMER O SEU CU / FALTA UMA POLEGADA (Meu maracatu pesa uma tonelada)

UMA CERVEJA, 2 CERVEJAS, 5 CERVEJAS, 20 CERVEJAS / É CACHACEIRA (Praieira)

Mauro Shampoo - jogador do Íbis, cabeleireiro, homem e artista de cinema. Melhor com a tesoura nas mãos do q com a bola nos pés

Vela Celebridade na praia de Carneiros. E essa luz na foto à direita, vem de onde?

VEM DAQUI!!! DO PAI DAS LUZES!!!

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Geral

Régis Rösing adivinha o gol do Chico Barney

- Fala Vela amigão! Tava fazendo uma busca com o meu nome no google e caí no blog de um cara chamado Chico Barney com algumas considerações sobre a minha pessoa. Vi que tem um link pro teu blog. Você conhece esse cara?

- Conheço sim, Régis. O Chico Barney te venera!

- Tô vendo…

- Se não me engano ele virou teu fã depois daquela sua entrevista com o Jardel, de quem ele também é super fã.

- É mesmo? Soube que o Jardel foi pro Flamengo do Piauí?

- É verdade. É derrota demais pra alguém jogar no Flamengo. Ainda mais o do Piauí.

- Então, faz o seguinte. Já que tu é amigão do cara, grava aí um vídeo meu mandado um alô pra ele!

—-> [youtube _y2nYRaT0JA]

Um salve pro @seufelipe pela ajuda na publicação do vídeo!

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Vela na naite bombada

Vela na naite bombada: fui a Nuth (e gostei!), pagode na Matriz

Ano passado estava saindo com uma moça que no decorrer do ano viraria minha (ex) namorada. Ela apreciava bastante hits de boates. Mas posso dizer que me poupou bastante desse tipo de noitada. Porém, o namorado de sua melhor amiga resolveu comemorar o aniversário na Nuth da Lagoa – tradicional boate da naite bombada carioca. Não havia desculpa para não ir. E ainda seria injusto privá-la de soltar os seus “u-hu´s” na pista.

Na fila para entrar não consegui disfarçar a minha cara de cu. Perto da porta ouvia o som seco da batida. Desespero. Lá dentro, a pista já estava cheia. Imaginei que o lugar fosse maior. O repertório me era familiar: remixies dos anos 80, New Order, Depeche Mode… Mais próximo da cabine, a primeira surpresa: Amândio, DJ da velhíssima guarda que tocava na Basement – primeira e finada boate de roquenrol que eu frequentei! A cara de cu começou a se desfazer.

Juventude dourada carioca marcando presença na Nuth

Juventude dourada carioca marcando presença na Nuth

Subimos. As paredes espelhadas da escada são na medida para a vaidade dominante. O repertório da pista de cima também me surpreendeu. Veio a segunda surpresa: nas carrapetas, Zé Roberto Mahr, outro dos tempos da Basement! Nunca imaginei que fosse ouvir Roberto Carlos e Aretha Franklin na Nuth! Em pouco tempo eu era o cara mais empolgado do grupo. Cheguei a receber olhares meio tortos de um pessoal no balcão quando bradava “Sociedade Alternativa”. A impressão era que a galera boiava com o repertório.

Apesar de estar acompanhado, pude conhecer um pouco do processo de abordagem da Nuth. Um sujeito chegou em uma moça do grupo e logo de cara informou ser morador de uma cobertura da Lagoa. Fiquei imaginando como seria a minha abordagem:

“Oi, tudo bom? Meu nome é Vela. Moro num cubículo no Catete. Quer transar comigo?” (obrigado, @rockbola2009)

Em tempo: o nobre morador da Lagoa não foi feliz em sua empreitada.

Era para ter sido uma noite chata, ruim, mas não. Posso dizer que fui na Nuth e me diverti bastante. Mas voltar lá são outros 500.

Pagode na Matriz

Nojento! Tchan!

Nojento! Tchan!

Casa da Matriz, lugar de festas descoladas. Rock, MPB, música eletrônica. Quem imaginava que um dia uma pista lotada fosse cantar em altos brados os pagodes que marcaram os anos 90?  Pois isso aconteceu graças à intervenção de @RonaldRios , @mitsudiz e a graciosa @brunasenos na festa “No Rock Yes Pagode”, no último domingo. Nem quando eu dava canja trash na Matriz tive culhão de tocar Molejo. E os caras simplesmente mandaram umas três ou quatro de Anderson Leonardo e cia. Comovente.

Quanto às músicas românticas, poucos ritmos bateram tão fundo nos corações do Brasil quanto o pagode 90´s. Ousaria compará-los a Vinícius de  Morais. Em alguns momentos eu conferia a reação dos seguranças, se eles cantarolavam alguma coisa. Tive vontade de cantar com eles, mas os distintos mantiveram o respeito.

Mas desvirtuar tanto assim tem seu preço. O repertório não é tão grande e por isso a periodicidade mês sim, mês não seria ideal. Uma festa dessa toda semana ou todo mês enjoaria rápido. Tocar uma hora de rap funciona. Inclusive, Rap do Magalhães foi outro momento antológico.

Quem sabe se um dia eles não tocam na abertura de um show do Molejão?

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Geral

Eu, V., 33 anos, portador de carteirinha falsa de estudante

No final do ano passado renovei minha carteirinha de estudante. Saí da faculdade faz uma década. Há três anos, quando estudava espanhol, adquiri o pedaço de plástico que me possibilita diversão e cultura pela “metade” do preço. Sugestão de um amigo, também ex-universitário, mas que cursava inglês, e que tomou conhecimento da prática com a ex-namorada, aluna de um cursinho preparatório para concursos.

Peguei o elevador do prédio da Federação dos Estudantes Secundaristas de Niterói, que fica no centro do… Rio! Um sujeito comendo goiaba me atendeu. Na sala acarpetada e sem janela há uma mesa e algumas cadeiras em mau estado. Um jornalzinho da entidade pendurado na parede atualiza as conquistas e reivindicações mais recentes da FESN.

Ser estudante não é necessário!

Não precisa ser estudante!

Fui chamado para outra sala parecida com a primeira, mas com uma janela que dá para a área interna do prédio. No corredor atrás da divisória há uma sala maior de onde se escutam vozes animadas e um rádio tocando flashback. Sentei na cadeira tosca em frente a mesa repleta de formulários xerocados preenchidos por estudantes que adquiriam as suas carteiras.

“Vim renovar, mas esqueci o comprovante do curso?” “Você ainda está nele?” “Sim”. Mentira. Já havia saído do curso. Mas se eu falasse a verdade certamente ouviria um “Não tem problema”. A sensação era a de estar em um lugar clandestino, que a qualquer momento podia ser estourado pela polícia. O sujeito me deu um cartão caso algum amigo quisesse fazer uma carteirinha. Basta pedir por telefone que eles entregam em casa por uma taxa de 10 reais. É o aviãozinho da carteirinha.

Enquanto o sujeito que me atendeu providenciava um novo documento, um outro me ofereceu o mesmo serviço para meus amigos. Sem cartão, ele rasgou um pedaço de papel onde anotou seus dados e me entregou ali, na frente do colega. Livre concorrência é isso aí. Enquanto isso, o sujeito finalizava minha nova carteirinha esticando o plástico com minha antiga carteira em um movimento semelhante ao de enfileirar carreiras de pó.

Notei em um dos formulários sobre a mesa que a carterinha custa 20 reais. Não sei se era a mesma. No entanto, o sujeito me cobrou 30. Não reclamei. Saí de lá o mais rápido possível, constrangido. Mas sabendo que, mesmo fora da lei, vou seguir pagando o preço real pelos ingressos. Não o dobro.

***

Avisos enormes nas bilheterias dos cinemas alertam que o uso da carteirinha só é possível acompanhado de outro documento que comprove o curso. Por um brevíssimo tempo houve essa exigência sim. Mas a prática foi deixada de lado faz tempo.

Época em que a UNE não era a UNENE, União Nacional dos Estudantes e Não-Estudantes

Época em que a UNE não era a UNEN-E, União Nacional dos Estudantes e Não-Estudantes

Em alguns lugares, porém, o uso do documento falso vem se tornando desnecessário. Clientes do Itaú pagam meia em alguns cinemas e no futebol. (Pobres) Assinantes da Claro (que é merda – obrigado, Mike Patton) têm desconto de 50% no Cinemark. Mesmo caso da Vivo nos cinemas do Shopping da Gávea e dos clientes do Unibanco no Arteplex.

Empresas que batizam casas de show também poderiam seguir o caminho em vez de dar descontos mesquinhos variando entre 20% e 30%. A Fundição Progresso, casa de shows do Rio, escancara. Basta levar um quilo de alimento para pagar “metade”do ingresso.

Um projeto do Senado limita a cota de 40% de ingressos para meia-entrada e cria um órgão que fiscalizaria as entidades estudantis. Depois disso, será que o preço da inteira vai cair pela metade? Usando Nelson Ned e Madonna como exemplos, Ricardo Chantilly, diretor da Abeart (Associação Brasileira de Empresários Artísticos), garante que sim.

Isso ajudaria a me livrar da dependência da carteirinha. Mas por enquanto esse argumento é tão sólido quanto um…  chantily!

Leia mais

CE aprova meia-entrada para estudantes e idosos com cota de 40% dos ingressos

Com as tags | 15
Vela na naite bombada

Vela na naite bombada: Loud, Bailinho, Bukowski, best of…

Quando fui ao show do Faith No More, no começo de novembro, revi uma galera que me remeteu diretamente pra Loud, melhor festa da década: ex-namoradas, ex-pegas, antigos amigos, criaturas bizarras… E qual foi a minha felicidade ao saber que depois de um longo inverno a Loud voltaria em comemoração aos 10 anos. E na sua casa, o Cine Íris. O alto custo do aluguel do cinema levou a festa para outros lugares, como a Gafieira Estudantina e o Teatro Odisséia, mas ela nunca mais foi a mesma. Hibernou até o último dia 23.

como é que eu não tenho uma foto com essa camisa?

como é que eu não tenho uma foto com essa camisa?

Na porta dava para notar o quanto os antigos frequentadores envelheceram. Alguns engordaram e perderam cabelo, outras precisaram carregar na maquilagem. “Midlife crisis” chegando. O revezamento de DJ´s é interessante porque mesmo chegando cedo é possível curtir um som bacana. Mas as boas-vindas ficaram mesmo por conta de Wander Wildner. A galera ficou no palco mesmo, à banda. O punk brega interagia chamando moçoilas para os backing vocals. Fui paramentado especialmente para o hit que encerrou o show, “Eu tenho uma camiseta escrita eu te amo”. Eu e o Pereio fomos até alvo de fotografias. E teve gente que achou que fosse o Marcelo Camelo. Desde quando MC fala porra?

Na pista do meio o DJ Túlio mandou a aguardada mensagem de Natal: “Papai Noel velho batuta”. Me esgoelei com um maluco que nunca tinha visto. Foi lindo! A pista fervia em todos os sentidos. Em vez ventiladores instalaram perto das janelas telas de LCD fazendo propaganda da própria festa. Pra quê? Restava fugir do calor no terraço, espaço que continua nobilíssimo. Outro senão é o combo de três latas de cerveja, onde o sujeito é obrigado a levar as três de uma vez.

No cinema ainda rolou show do hypado Copacabana Club. Não vi, fica para a próxima. Depois, o espaço esvaziou. Explica-se. DJ Edinho comandava o som. Com uma camisa do Botafogo… Uma ratazana que habita o Cine Íris me contou que vai rolar Loud a cada dois meses. A conferir.

Bailinho

A festa favorita das celebridades começou uma temporada de verão aos domingos no armazém do cais do porto. É impecável em termos de estrutura, produção, som eclético e visual. Mas não é um lugar do caralho porque não tem muita gente legal, nem cerveja barata (R$ 5 a latinha). O ingresso custa R$ 100, mas aceita carteirinhas de estudante verdadeiras e falsas. Fui de graça por acaso. O irmão do amigo de um amigo, produtor da festa, tinha ingressos de sobra naquela noite. Porque pagando R$ 50 eu dificilmente iria.

Rodrigo Pena acertou em largar a carreira de ator sem muito futuro e virar produtor e DJ. Na cabine que mais parece um mini-palco ele está seguro de chatos pedindo música. Mesmo assim é difícil não atender aos gostos mais variados. Vai desde “Rock and roll all night” passando por Martinho da Vila, um hit sertanejo depois de uma bela sequência de funks, LCD Soundsystem, Peter Bjorn e até Mamonas Assassinas, que eu não tocava nem na minha fase mais trash de DJ. Uma foto do Chacrinha decorando a cabine simboliza bem o ecletismo do repertório.

Dado Dolabela no Bailinho. Ele procriou este ano. Porém, para alívio de muitos se afastou da noite

Dado Dolabela no Bailinho. Ele procriou este ano, mas pelo menos se afastou da noite

Iluminação e decoração deixam o imenso galpão bastante acolhedor. Do lado de fora o visual da Baia da Guanabara, ponte e Niterói. O mulherio é de primeira. Mas são daquelas moças que dificilmente darão mole para você leitor, assim como eu, um velho indie com cara de nerd e intelectual. Estão mais à feição dos soft-playboys, uma galera mais tranquila do que os habituais plays. Mas não custa nada tentar. Vai que uma menina do Leblon veja um coração batendo por trás de uma lente de óculos.

Outro mérito da festa foi não ter se abalado com os barracos originados pela senhorita Luana Piovani, que de figura tão fácil na festa já não causa a menor sensação.

Bukowski

O bar de roquenrol de Botafogo é um lugar que evito, mas como última e apelativa opção acaba servindo. A pista é pequena e apertada, o DJ só toca os clichês e a galera que frequenta é estranha. Mistura playboys com losers, losers-playboys, roqueiros… Não entendo o que playboys fazem ali. Aparentemente não sacam nada de roquenrol. Só ajudam a deixar o ambiente com mais homem do que mulher.

Melhores de 2009

Momento sensorial: Maurício Valadares tocando “Body count is in the house” no Ronca Ronca da varanda do MAM, na semana em que o helicóptero da PM foi derrubado. Só faltou rasante do helicóptero.

Melhor combinação festa /lugar – Yellow Submarine no Cine Glória. Depois que o simpático cinema foi interditado pra festas, a Yellow foi para a Pista 3 e quase morreu. Começa o ano no Studio Line, em Botafogo. Boa sorte.

Melhor DJ: Túlio. Pra ficar melhor só precisa tocar em lugares melhores do que a Casa da Matriz às quintas, infestada de macho.

Momento inusit.ado – eu me divertindo na Nuth da Lagoa (fica prum post futuro).

Momento próprio bizarro – eu tendo uma distensão no joelho depois de pular que nem maluco quando tocou “Hava Nagila Hava” na Go East da Casa Rosa.

Melhor boate que toca rock – com uma puta estrutura e som, no Rio não existe. Também se tiver, vai falir porque neguinho do roquenrol é tudo duro.

Melhor show – Faith No More.

Pior peça de teatro – Simplesmente eu. Clarice Lispector

Melhor livro - biografia do Simonal

Um 2010 com muita festa, roquenrol e samba esquema noise!

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O dia em que eu...

O dia em que torci contra o Fluminense

Após relatar no post anterior meu drama ao assistir a um jogo do Flamengo entre os urubus, lembrei de outro fato inusitado na minha vida: o dia em que torci contra o Fluminense.

Trabalhava no CFZ, cobrindo o time do Zico (fazer o que? Tenho contas pra pagar…). Os juniores disputavam a Taça OPG, espécie de sub-campeonato estadual inventado para preencher o calendário. O CFZ tinha um time certinho, jogava ofensivamente e na primeira fase foi o primeiro do grupo, deixando o Flamengo em segundo. Passou pelo Madureira nas quartas e nas semifinais pegaria o Fluminense.

E agora? Pra quem eu torceria? Contra o Flamengo foi fácil, CFZ de coração. Mas e naquele momento? Acabou falando mais alto o velho clichê de ser profissional. Além do mais, estava convivendo com aquele grupo e dava gosto vê-los jogar.

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Alojamento da molecada em Xerém. Das poucas coisas boas no badalado Vale das Laranjeiras

Na primeira partida, em casa, o CFZ dominou e teve pelo menos dois pênaltis a favor ignorados pela arbitragem. O apito amigo constrangeu até Renê Simões, então treinador dos profissionais do Flu. Na volta, em Xerém, o temor era que o juiz garfasse o CFZ deliberadamente. Temor até então infundado no tempo normal e na prorrogação, quando os dois times não saíram de um 0 a 0 bastante disputado, mas sem polêmicas. A vaga para a final contra o Botafogo seria decidida nos pênaltis.

Parênteses: cheguei cedo a Xerém junto com o time e para passar o tempo fui conhecer o tão badalado Centro de Treinamento Vale das Laranjeiras. Achei bem fraquinho. O campo principal é duro pra burro, os vestiários toscos e os campos secundários me pareciam largados. Tentei, na encolha, tirar uma foto com Assis, coordenador das divisões de base, mas não havia encontrado o carrasco rubro-negro. Fecha parênteses.

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Xerém é a fábrica e Laranjeiras, a loja. Se bem que ultimamente alguns produtos não chegam nem na loja

Posicionei-me atrás do gol para tirar fotos. Do lado de fora das grades um torcedor do Fluminense gritou para que eu saísse da frente do cinegrafista do clube, que estava mais atrás. Disse que estava ali trabalhando. “Pra quem?”. “Pro CFZ!”. Pra que eu fui dar ideia? O cara passou a me provocar. Comecei a cogitar a bizarra hipótese de entrar na porrada com um tricolor! As provocações passaram para os jogadores do CFZ. “Bate o pênalti que nem o seu patrão!!!”, gritou o maluco, lembrando da Copa de 86.

O goleiro do CFZ havia defendido uma cobrança e se o Flu perdesse a última seria eliminado. O goleiro defendeu de novo, exatamente da mesma maneira que a anterior, mas o bandeirinha alegou que ele havia se adiantado. Protestos e nova cobrança. E de novo outra defesa, do mesmíssimo jeito. E o bandeirinha anulou outra vez! Na terceira tentativa, gol do Flu e a decisão foi para as cobranças alternadas, quando o time da casa levou.

O time azul partiu furioso pra cima do bandeirinha, que tomou alguns sopapos e uma bela voadora. A polícia entrou em campo e isolou a arbitragem. Alguns jogadores do CFZ choravam de tanta raiva. Naquele momento Assis, que eu não tinha visto até aquele momento, adentrou no gramado para tentar acalmar a situação. Já não tinha mais vontade de tirar fotos. No máximo falar algo como “Poxa, ídolo, precisava roubar pra ganhar?”.

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O dia em que eu...

O dia em que assisti a um jogo na torcida dos Framengo

Em homenagem ao pentacampeonato rubro-negro, recordo a primeira e (espero) única vez em que assisti a um jogo do menguinho no meio da MAIOR TORCIDA DO “MUNDU”.

upload – Pra quem tá chegando no espaço agora, sou Tricolor de Coração, filho e neto de rubros-negros – o outro avô era América, mas aí não conta. Aquele avô foi, inclusive, corredor pelo Flamengo. Mas graças ao meu relapso pai, meu tio fez a minha cabeça e me tornei um distinto torcedor do Fluminense Football Club – fecha upload.

Outubro de 2007. Ciceroneava uma mexicana pela cidade. Cristo, Pão de Açúcar, praia… Ela quis ir ao Maracanã, mas naquela semana o único jogo era Flamengo x Corinthians, pelo Brasileiro. Sob o comando do papai Joel Santana o menguinho vinha de uma arrancada incrível, da rabeira rumo ao G-4. É bom lembrar que o time tinha jogos atrasados e levava a vantagem ao saber quais resultados precisava. Já o timãozinho lutava desesperadamente contra o rebaixamento, o que se concretizou na última rodada para alegria da nação.

Fomos com a galera do hostel da mexicana em uma van. Hostels e agências de viagem funcionam como “cambistas oficiais”. Eles sempre têm ingressos para jogos cujas entradas se esgotam, como era o caso daquela partida. Os bilhetes geralmente são adquiridos por fora, com pessoas de dentro do Maracanã. Além disso, praticam ilegalmente a venda casada (ingresso + transporte). E vendem bilhetes de meia-entrada como se fossem de inteira. É pegar ou largar.

Sabia onde estava me metendo e tentei sem sucesso passar em casa pra deixar minha câmera. Para a segurança da turistada, chegamos 2 horas antes da bola rolar. Dois flanelinhas quase se estapearam quando a van chegou. O estádio ainda estava vazio e ambulantes tentavam vender camisas falsificadas. A mexicana quis a do Flamengo. Proibi. Já havia explicado para ela o significado daquele clube. Não poderia permitir que ela levasse uma recordação tão ruim do nosso país. O camelô ficou puto, o que me deixou ainda mais orgulhoso da minha boa ação.

A favelada foi chegando e os gritos se intensificando. Só consegui acompanhar o “ão-ão-ão segunda divisão” pros curintiano. Cantava baixinho “Tu és, time de otário e cuzão! Puta, viado e ladrão! Adeus Mengoooo”. Estava numa situação realmente difícil. Apesar de dois times malditos não me restava outra opção senão torcer contra o Flamengo. Esta foto expressa um pouco o meu sentimento.

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Percebi que minha manifestação de carinho havia despertado suspeitas e comentários de pessoas próximas e pouco amistosas. Parei antes de ser desmascarado, até porque a bateria da câmera tinha acabado. O jogo começou e o Curintia marcou. Tive que me conter. O menguinho empatou. Desespero! Veio a virada com uma pancada do Roger Chinelinho. As pessoas começaram a se abraçar e antes que a gentalha encostasse em mim agarrei a mexicana com todas as forças. No final, lamentei um gol incrível perdido pelo curintia. Fim de jogo. Mais emoções estavam por vir.

Na frente do banheiro, um amigo em êxtase passou na minha frente e inacreditavelmente não notou a minha presença. Até hoje ele se lamenta de não ter me visto. Diz que se me notasse teria apontado pra mim e gritado “É tricolor!!!”. Talvez eu não estivesse aqui para contar isso. Que amigo… Uma das gringas (uma européia, acho) tinha perdido as sandálias e pisava descalça numa poça imensa perto do banheiro. Um playboy gritava “Ih, ih, ih, tá pisando no xixi”. Comovente.

Estava são e salvo na van. Um gringo perguntou onde seria a festa de halloween. Era dia das bruxas. Tudo a ver com aquele jogo. A guia criticou o cartaz do MV-Brasil, “Halloween é o cacete, Brasil país cristão”. O rádio tocava Jorge Vercílo.

Confira os melhores momentos do jogo na narração vibrante de Cleber Machado

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