Após relatar no post anterior meu drama ao assistir a um jogo do Flamengo entre os urubus, lembrei de outro fato inusitado na minha vida: o dia em que torci contra o Fluminense.
Trabalhava no CFZ, cobrindo o time do Zico (fazer o que? Tenho contas pra pagar…). Os juniores disputavam a Taça OPG, espécie de sub-campeonato estadual inventado para preencher o calendário. O CFZ tinha um time certinho, jogava ofensivamente e na primeira fase foi o primeiro do grupo, deixando o Flamengo em segundo. Passou pelo Madureira nas quartas e nas semifinais pegaria o Fluminense.
E agora? Pra quem eu torceria? Contra o Flamengo foi fácil, CFZ de coração. Mas e naquele momento? Acabou falando mais alto o velho clichê de ser profissional. Além do mais, estava convivendo com aquele grupo e dava gosto vê-los jogar.
Alojamento da molecada em Xerém. Das poucas coisas boas no badalado Vale das Laranjeiras
Na primeira partida, em casa, o CFZ dominou e teve pelo menos dois pênaltis a favor ignorados pela arbitragem. O apito amigo constrangeu até Renê Simões, então treinador dos profissionais do Flu. Na volta, em Xerém, o temor era que o juiz garfasse o CFZ deliberadamente. Temor até então infundado no tempo normal e na prorrogação, quando os dois times não saíram de um 0 a 0 bastante disputado, mas sem polêmicas. A vaga para a final contra o Botafogo seria decidida nos pênaltis.
Parênteses: cheguei cedo a Xerém junto com o time e para passar o tempo fui conhecer o tão badalado Centro de Treinamento Vale das Laranjeiras. Achei bem fraquinho. O campo principal é duro pra burro, os vestiários toscos e os campos secundários me pareciam largados. Tentei, na encolha, tirar uma foto com Assis, coordenador das divisões de base, mas não havia encontrado o carrasco rubro-negro. Fecha parênteses.
Xerém é a fábrica e Laranjeiras, a loja. Se bem que ultimamente alguns produtos não chegam nem na loja
Posicionei-me atrás do gol para tirar fotos. Do lado de fora das grades um torcedor do Fluminense gritou para que eu saísse da frente do cinegrafista do clube, que estava mais atrás. Disse que estava ali trabalhando. “Pra quem?”. “Pro CFZ!”. Pra que eu fui dar ideia? O cara passou a me provocar. Comecei a cogitar a bizarra hipótese de entrar na porrada com um tricolor! As provocações passaram para os jogadores do CFZ. “Bate o pênalti que nem o seu patrão!!!”, gritou o maluco, lembrando da Copa de 86.
O goleiro do CFZ havia defendido uma cobrança e se o Flu perdesse a última seria eliminado. O goleiro defendeu de novo, exatamente da mesma maneira que a anterior, mas o bandeirinha alegou que ele havia se adiantado. Protestos e nova cobrança. E de novo outra defesa, do mesmíssimo jeito. E o bandeirinha anulou outra vez! Na terceira tentativa, gol do Flu e a decisão foi para as cobranças alternadas, quando o time da casa levou.
O time azul partiu furioso pra cima do bandeirinha, que tomou alguns sopapos e uma bela voadora. A polícia entrou em campo e isolou a arbitragem. Alguns jogadores do CFZ choravam de tanta raiva. Naquele momento Assis, que eu não tinha visto até aquele momento, adentrou no gramado para tentar acalmar a situação. Já não tinha mais vontade de tirar fotos. No máximo falar algo como “Poxa, ídolo, precisava roubar pra ganhar?”.
5 comentários Postar um comentário ou enviar um trackback.
Belo texto, cara.
Boa história, exemplo de profissionalismo e tudo mais. Foda ser constrangido pelo próprio time/torcida/diretoria/derivados.
“Bate o pênalti que nem o seu patrão!!!” hahahahaha, bela lembrança/provocação.
Peraí, e desde quando precisa torcer contra o Fluminense? É só deixar rolar.
Para de falar na merda do fluminense!
OooooOOOOOOOOoo Camisa feia
cheia de cor
todo viado que eu conheço é tricoloooooooooOoOoO
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