Geral

Vela na naite bombada: tomando um fora da Amelie Poulain

Uma das melhores festas da cidade escolheu um dos melhores lugares da cidade para comemorar dois anos de vida. A Maracangalha deixou de lado o simpático pulgueiro da Gafieira Elite e apostou no enorme Cine Íris. Fazia muito tempo que eu não pisava no templo da sacanagem diurna, desde a última Loud, a uns cinco, seis anos atrás. Lá ainda rolam algumas festas, tipo DDK. Mas eu não curto muito essa vibe Crepúsculo perigóticas.

Festa florida não demora a fazer sucesso. E a playboyzada já descobriu isso. Bom que eles ainda não conseguiram estragar a festa. A mulherada da Maracangalha é daquele tipo hippie-alternativa de Santa-Teresa. Tinha uma sósia da Amelie Poulain que eu não me contive e tive que abordar, mesmo ela sendo tão sexy quanto um porco espinho (obrigado, Allan Sieber).

amelie-poulain

- Você é a Amelie Poulain?

- Não.

- Não acha que é um fabuloso destino nos encontrarmos?

- Não.

- Onde é que vc vai? Vou ter que seguir as tuas pistas até Montmattre?

Dessa vez o não foi com a cabeça…

O vaievem nas escadas era frenético. Na pista do cinema, uma criatura híbrida formada por César Maia e Solange Amaral aparecia no telão enquanto tocava “Bichos escrotos” no talo. Meigo. A chuva deu um tempo, o céu abriu e o terraço recebeu a Soul, Baby Soul sob a luz da Lua. Belo climão. A chuva também contribuiu pros tombos cinematográficos nas escadas de mármore.

Simpático venderem biscoito Grobo. Caído só o tal combo de 4 latinhas a 10 reais. O sujeito era obrigado a pegar as 4 latas de uma vez.

Ah sim: a Loud vai voltar ao Cine Íris no dia 23! Com Wander Wildner!! (lugar) Do caralho!!!

Fanfarra Paradiso e festa Oh, Play That Thing!

A banda instrumental  é legalzinha, tem músicas de nomes nonsense, anunciados por um dos músicos no microfone, e não se rende aos covers e versões usuais de outras bandas da cidade. Merece a atenção.

Já na festa só rola jazz e suas vertentes. É bacaninha, tem até uma galera que dança como os nossos avós (e usam roupas de brechó). Dá até pra se arriscar no charleston. Chega uma hora em que fica um pouco monótono, mas esse tipo de festa bem específica, como Soul baby soul, Bangarang e Arriba!, é fundamental na cidade.

O lugar, a Casa de Jorge, é bem receptivo a essa galera. Era o antigo Mal do Século (com esse nome não podia dar certo), na Rua do Rezende, na Lapa. Depois de um tratamento acústico não atormenta mais os vizinhos. E ainda conta com um trunfo importante nesses tempos de caça aos fumantes: uma área ao ar livre bem espaçosa.

Veneno

Atendi ao chamado de uma amiga e depois de muitos meses voltei a dar as caras na Casa da Matriz, na última quinta-feira. Pra que!? Homem pra burro! Não adianta fazer lista vip pras moças. E o site da Matriz ainda informa o preço errado. Fumantes são colocados em um ridículo cercadinho do lado de fora. Se quiserem conferir o som do DJ Túlio, um dos melhores destas paragens, procurem outras festas onde ele dá as caras.

Largo das Letras

No casarão em frente ao Cine Santa rola forró e roda de samba no segundo e último sábados do mês. De graça. Altamente recomendável, não vou explicar o motivo. Vá cedo, porque acaba às 11 da noite.

Siga as dicas da naite bombada carioca no twitter.com/@vela__

6
Geral

Post não pago – All Star, tênis vagabundo

Ano passado resolvi reviver um pouco do passado. Não indo a alguma festa anos 80. Era algo mais digno. Queria comprar um allstar. Experimentei o modelo básico e achei desconfortável. A sola é fina demais, parece que você está pisando descalço. Conheço gente que admite o desconforto, mas usa mesmo assim. Deve ser um fenômeno tipo Parmê e Pizzaria Guanabara. É ruim, mas muita gente come.

allstarOptei por um dos modelos Converse, este sim confortável. Cerca de um ano depois, um pé começou a descolar. Apesar de ser o tênis que mais uso, não faço coisas que supostamente poderiam desgastá-lo mais rápido, como jogar bola ou fazer caminhadas, atividades que larguei faz tempo.

Mandei para a sapateira colar e costurar. “Por que você não deixa o outro pé para reforçar logo de uma vez?”. Preferi esperar. E não demorou muito, uns 2 meses, para acontecer a mesma coisa. A “customização” obrigatória custou R$ 18. Preço total do tênis = R$ 118. Vi depois que existe um modelo do Converse com a sola já costurada. Mas aí já era.

Como o fato de usar a marca consiste em fazer propaganda, resolvi completar a “customização”.

allstar_vagaba

Com o kichute não acontecia isso...

upload – @mkarl me avisa: “All Star é pra quem tem pé pequeno e delicado” … Eu calço 44. Pq então não fabricam só até o nº 40?

Com as tags | 26
Vela na naite bombada

Vela na naite bombada – Inferno no Cine Lapa

Festinha para gringos no Cine Lapa na última quinta-feira. Erasmus o nome. Nunca tinha ouvido falar. “Tem mais de 1000 pessoas na lista amiga”, meu amigo tentou me empolgar. Tentei convencê-lo a ir para outro lugar, mas ele já tinha combinado de encontrar com uma moça lá dentro.

Fila cheia de homens. Preocupado, tentei fazer uma retirada, mas os contatos não atendiam. Não restou outra opção. Lá dentro a suspeita se confirmou. Muito homem – e não era festa gay. A irmã de um dos DJ´s me contou que na anterior também tinha enchido de macho, e que aquela era uma preocupação dos caras. O lugar foi enchendo ainda mais. Calor, cerveja quente, pista lotada… Teve até um playboy que quis arrumar encrenca com meu amigo. Acabou o amor, aquilo ali tinha virado o inferno. Mas o pior ainda estava por vir.

cinelapa

A fila VIP, fichinha comparada à dos mortais

cinelapa2

O nome dela é lerdeza

Fila, ou melhor, um aglomerado de gente para pagar. Os dois seguranças não conseguiam ordenar uma fila decente. E as duas mulheres do caixa desconheciam a palavra agilidade. Do outro lado da divisória, uma turma se espremia na frente de um buraco pra pagar por fora – uma tentativa de fila VIP no meio da zona. Ânimos começaram a se exaltar e eu estava esperando pelo estouro da boiada, o que não aconteceu até a hora da minha partida.

Uma coisa é certa: se você quer ir numa festa cheia de homens, vá à Erasmus. Se você quer se irritar com desorganização e tomar cerveja quente, vá ao Cine Lapa. Em relação à festa, uma pena. O DJ mixa direitinho um bom feijão com arroz – Hot Chip, Justice, Gorillaz, Franz – e o cara de cima mandava um som brasileiro que não comprometia.

Songoro Cosongo na Mansão dos Arquitetos

O casarão de Santa Teresa foi palco da melhor festa que eu fui em 2007. Duas pistas, sendo uma em uma piscina vazia, roquenrol, psicodelia… Não faltavam ótimas referências. Naquela noite a atração principal era o show do Songoro Cosongo, uma banda latina formada por cucarachas sul-americanos. Legalzinho, mas o bloco de carnaval é muito melhor. Mas naquele dia, cheio, calor pra burro, o show não estava acontecendo, mesmo na área ao ar livre. Tive que apelar e tirar a camisa, exibindo meus músculos torneados.

A organização era nas coxas. Chegaram a cobrar preços diferentes na entrada – uma das malucas da bilheteria devia estar no esquema legalize. O pessoal cucaracha demonstra uma empáfia digna de argentinos. No bar, enquanto o negão brasileiro atendia com a maior simpatia, o narigudo argentino não estava nem aí.

A pista de dentro também não rolou. Fela Kuti rolava solto no som do lado de fora dando o clima de calor africano. A piscina estava cheia de água. Me arrependi de não ter me jogado nela. Acho que não provocaria uma reação em massa, já que o público presente não tinha cara de gostar de banho.

Samba da Ladeira e da bala perdida

Lembram de um cara que morreu atingido por uma bala perdida num samba da Lapa? Dizem que a bala não foi tão perdida assim e foi disparada por um militar morador do prédio acima, puto com a zona. Então, o tal samba voltou, agora aos sábados. O repertório é mais popular, diferente da vez anterior, mais lado B. Ainda não tá lotado, mas é bom ir prevenido com capacete e colete à prova de balas.

Zura no Manoel & Joaquim

Seis horas bebendo e comendo, conta de R$ 400… Em um bar decente a saideira viria sem pedir. Não foi o caso do Manoel & Joaquim da Farme de Amoedo, que a muito custo ofereceu três garotinhos para cinco pessoas. Não havia gerente na casa. Fiquei na dúvida se os donos do M&J são portugueses ou judeus.

Foi em algum bar e não rolou a saideira? Deixe seu comentário.

Vela é a Bárbara Heliodora da noite carioca

11
Geral

Uma tarde com Ratinho e Wagner Montes

ratinho_wm

Ratinho, Nelson Hoineff e Wagner Montes: papo cabeça-intelectual

Sábado passado, sol infernal, seleção jogando contra a Inglaterra. Lá fui eu para Ipanema. Praia? Nada disso. O destino era o Oi Futuro, onde nada menos que Wagner Montes e Ratinho discorreriam sobre audiência nas tardes televisivas. Menos da metade dos 80 lugares do auditório estava ocupada. Falta de divulgação, comentou um fotógrafo. Talvez se fosse num dia de semana, no Oi Futuro do Flamengo, a coisa seria diferente. Uma hora antes, dois estudantes de comunicação contratados pelo Festival Internacional de Televisão tentavam atrair quem passava na calçada em frente ao centro cultural.

ratinho

Ratinho quis tirar uma foto comigo e com o patrão

Para quem tinha coisa melhor para fazer naquela hora, aqui vão os melhores momentos do debate:

Ratinho mandou de primeira: “A TV veio para substituir o circo, com suas comédias e tragédias. É isso que eu tento fazer”. O roedor culpou a imprensa por seu programa ter perdido patrocinadores, o que o deixou um longo tempo na geladeira. E encheu a boca para dizer o que pensa das críticas:

“Eu fico puto, viro uma onça!!!”

Nessa hora, um casal que havia sido convencido a ir na palestra por um dos estudantes de comunicação se levantou e foi embora.

Os dois iniciaram um profundo e edificante debate sobre a Geisy da Uniban.

“O vestido dela não tava tão curto”, iniciou WM.

“Nããão! Só mostrava o útero…”, contestou Ratinho.

“Mas ela era boa mesmo!”, concluiu brilhantemente WM.

Um velhinho brizolista bradava na última fila a favor de WM e se exaltou quando o câmera o filmou: “Você tá me filmando por quê? É araponga do PT?”. Bizarro era pouco.

sscarecaRatinho explicou a lenda do Silvio Santos careca: “Ele se deixou fotografar com uma peruca de palhaço para a revista de um amigo que estava falindo. Ele não é careca!”. E expôs sua opinião sobre o Ibope: “O cara que inventou isso é um filho da puta. Quanto sofrimento!”. Massa diz que passa os domingos assistindo a televisão. Já WM é mais romântico…

“Passo a maior parte do domingo cruzando”.

Ratinho também opinou sobre os programas de humor: “Minha mãe entende Pânico, mas não entende o CQC, que é muito elevado”.

Pensei em fazer várias perguntas, mas acabei caindo na política. Quis saber se WM seria candidato ao governo do Rio:

“Se o PDT me bancar, sim! E aí se eu me candidatar, eu ganho a eleição!”, ameaçou.

O partido bancar, segundo WM, significa não ser obrigado a aceitar concessões como cargos ou fornecedores de material, por exemplo. O combate à violência está na ponta da língua: “Contra a bandidagem, tiro porrada e bomba!”

Sem elevador, o perneta Wagner Montes foi obrigado a descer e subir o equivalente a três andares de escada. Confira no vídeo a satisfação dele.

8
O dia em que eu...

O dia em que Deus me sacaneou

Tudo começou quando fui batizar meu sobrinho, mês passado. Para tanto, tive que fazer um curso de batismo junto com a madrinha e a mãe, respectivamente minha tia e minha irmã. Seriam duas tardes de sábado recordando os preceitos católicos que eu esqueci e larguei faz tempo. Sim, não sou mais católico. Além disso, critico, implico e faço piada com a religião. Ou seja, não respeito.

Para piorar, a igreja escolhida foi a de São Judas Tadeu, padroeiro do Flamengo. Minha reação natural foi ir para a primeira aulinha com a camisa do carrasco Assis. Enquanto a mulher da paróquia nº 1 falava sobre as peregrinações de Jesus, logo me vinha à cabeça a Vida de Brian. Soube que minha missão como padrinho era levar a criança na igreja. Se dependesse de mim ele continuava pagão.

Depois da primeira aula, tivemos que a assistir à missa para só então nos inscrevermos e assegurar a data do batismo. Após algumas questões, a mulher da paróquia nº 2 me perguntou se eu era católico.

- Tem que ser católico pra ser padrinho? -, retruquei surpreso.

- Claro que sim! Você não é?

- Ele é sim, tá de brincadeira! -, interferiu minha irmã antes que eu botasse tudo a perder.

Fomos orientados a voltar lá durante a semana para garantirmos a data. Voltamos e a mulher da paróquia nº 3, que em muito me lembrava Jabba the Hutt, disse que a inscrição só poderia ser feita no sábado seguinte. Diante da burocracia da fé, minha irmã quase chutou o balde. Finalmente, depois de certa insistência, Jabba aceitou colher nossos dados novamente.

Jabba_the_Hut

O naipe era mais ou menos esse

- Vive com alguém?

- Sim, com Jesus Cristo…

- É católico?

Silêncio dramático e sorriso irônico nos lábios.

- Ele é sim! -, interveio minha irmã novamente.

- Quero ouvir ele dizer! -, decretou Jabba.

- Sim, sou católico -, mantive o sorriso nos lábios.

No sábado seguinte, depois do curso finalizado e me sentindo preparado espiritualmente para o batismo, veio o primeiro castigo. Minha tia disse que, na minha ausência, Jabba comentou que o padrinho não precisava fazer o curso, apenas a mãe e a madrinha. A revolta tomou conta do meu ser e passei a proferir uma série de impropérios e heresias contra aquela senhora e a instituição da qual ela pertencia.

Chegou o dia do batismo. Havia mais quatro ou cinco famílias em busca da pureza para aqueles pequenos seres humanos. Sábado de manhã, sentia sono, estava meio alheio àquilo… Com o moleque batizado, era chegada a parte da cerimônia em que os padrinhos eram chamados na parte da frente, levando velas que eram acesas pelo padre.

vela_fogo

Momentos antes da resposta dos céus

vela_cara

A vela e o Vela

Notei que o pavio da minha vela estava mais forte do que o normal. O que não impediu que meu pensamento voasse para milhas de distância dali. De repente, percebi minha mãe sentada lá no fundo, tentando me avisar alguma coisa. A cera havia pingado no babado da vela que começou a pegar fogo. Atenções todas voltadas para mim. Assoprei uma vez e não apagou. Tentei de novo e consegui. Nunca fiz as pessoas rirem tanto na minha vida. Tive o meu momento Mr Bean involuntário. Não sabia se ria ou se sentia vergonha. Depois da cerimônia, a família e amigos me sacanearam. Meu pai foi certeiro: “Pô, isso foi acontecer logo com o Vela!”.

Ao menos o Lá de Cima me poupou de aparecer nas pegadinhas do Faustão. Na minha família só tiraram fotos. E aparentemente no You Tube não há registro algum do ocorrido.

Ainda dentro da igreja, entendi o recado. “Tá vendo, malandrão? Falou mal de Mim na Minha casa, agora chupa! Ou melhor, assopra!”.

Moral da história: nunca use babado na vela. Além do risco de incêndio, é esteticamente ridículo. Melhor correr o risco de queimar os dedos com a cera.

11
Vela na naite bombada

Vela na naite bombada carioca!

É isso aí, amiguinhos. Depois de analisar as festinhas dos anos 90, pretendo relatar com alguma frequencia minhas incursões pela naite bombada carioca. E a estreia é em dose dupla – o Baile Curinga e a festa Coordenadas, que agitaram a cidade neste findi! U-HU!

Baile Curinga

A pilha inicial era ir na Coca Cordial, um esquema funk trash no igualmente trash Hotel Paris. Mas na porta não deixaram ver como tava lá dentro, então era melhor não arriscar. Uma rápida consulta no jornal ajudou a definir o destino. O Baile Curinga rolava ali perto, com show do bloco Exalta Rei. Antes de subir, perguntei para a dona da gafieira Elite se o lugar possui atestado de liberação da Defesa Civil. Sim, segundo a própria. Mas seria legal exibir o documento ali na porta, só por precaução, sei lá…

O bloco já estava tocando. Pelo menos eles se apresentaram na hora programada. Diferente do carnaval, quando já no primeiro (e único) ano de desfile deram uma de megabloco e saíram antes do horário anunciado, encerrando o desfile quando um monte de gente chegava na Urca. O show até que é legal – destaque para versão japonesa de “Debaixo dos caracóis” – mas vendo-se uma vez já basta (# ressentimentofeelings).

curinga21_009

A festa é formatada por jornalistas e gente de internet, o que acaba atraindo uma galera despojada (eufenismo pra gente largada e pouco atraente). Um roquenrol honesto e não muito óbvio rola nas caixas de som, que podiam ser um pouco mais potentes. Tem espaço pra gracinhas, como a música tema do Chacrinha. Falando no Velho Guerreiro, nada se cria e tudo se copia, inclusive nas pistas. O DJ arriscou um technobrega e uma versão de Crazy, do Gnarls Barkley, no estilo Dancing Cheetah. Não pegou. Mas nada que um Los Hermanos não recuperasse.

Festa Coordenadas

Encerrando um festival de filmes de montanha, a edição de sábado trocou o sobrado da Rua Carioca por um clube meio largadão entre o aeroporto Santos Dummont e o MAM. O DJ Dodô tocou em um salão grande, mas abafado e onde o som parecia de playground, dando um pouco de eco.

Um corredor estreito ao lado da piscina levava para a outra pista menor, onde o som saia estourado das caixas. Uma sequência do DJ me lembrou os tempos de matinê do Tijuca Tênis Clube – Man in the box, do Alice in Chains, Epic, do Faith no More, e Give it away, do Red Hot. Mas a galera parecia só estar a fim de fazer social.

De volta à pista maior, Dodô arriscava pouco para segurar a pista e mandava os hits de sempre. Ao menos, o visual compensou, principalmente pra quem ficou até o fim.

Se a festa rolar outra vez por lá, seria simpático da parte dos envolvidos permitirem o acesso à piscina, o que certamente contribuiria para uma maior socialização entre as pessoas.

coordenadas

Foto roubada daqui

Como está namorando, Vela evitará falar sobre os quesítos mulherísticos…

0
Geral

Rio 2016. Fiscalizar pra quê?

Faz uma semana que o Rio foi escolhido para ser sede da Olimpíada de 2016. Eu, como jornalista esportivo (bendita vírgula que evita o homossexualismo a homossexualidade), vibrei. Porém, ao mesmo tempo em que comemorava, me preocupava com as inevitáveis mutretas olímpicas. Ah sim, mas para que tudo corra direitinho, basta fiscalizar, dizem. Só que fiscalizar demanda, dentre outras coisas, tempo. Quem eram os fiscais do Sarney em 1986? Donas de casa desocupadas! E ter acesso às contas públicas não é como conferir preços no supermercado.

Ah sim, temos a imprensa e o Tribunal de Contas da União, salientam. Bom, a primeira, nesse começo de caminhada, já levou uma rasteira. Esta semana, um jornal publicaria uma matéria sobre o caixa 2 em um dos “legados” do Pan. Só que o dono do veículo achou a matéria tããão 2007 e após receber um telefonema preferiu colocar no lugar a ameaça de bomba nos trens da Espanha, derrotada no pleito olímpico. Assim esses galegos vão ver que não tinham mesmo como ganhar da gente.

extra

Ah sim, o jornal mencionado não é este

update: aos amiguinhos e amiguinhas recomendo a leitura do livro “Os senhores dos anéis” (é no plural, não a trilogia gay do Tolkien). Está esgotado. Por isso, procure no sebo ou na biblioteca mais próxima da sua casa.

update 2 – parece que não tinham o telefone do correio braziliense, que mandou tudo que o jornal referido não conseguiu.

7
Vela na naite bombada

Vem aí a guerra das festinhas dos anos 90

Você, amigo que curte a naite bombada carioca, zoou adoidado nas festinhas de anos 80? Então prepare-se para relembrar a década de 90! A disputa pelo público ainda está muito no começo, mas uma nova guerra pela preferência se prenuncia.

backsetembro_webvale

Há uns cinco, seis anos, duas festinhas dos anos 80 começaram a despontar na cidade, ambas kibadas da Trash 80 de São Paulo, que misturava sucessos sérios com toscarias. A primeira a surgir, Beat Acelerado, fez história no Cine Buraco entre a galerinha antenada. Na cola, timidamente, veio a Ploc. A Beat logo se manifestou. Filipetas da concorrente eram encontradas rasgadas sobre o balcão da Cavídeo, locadora que apoiava a Beat. A batalha ganhou contornos épicos. O ápice foi a disputa quase à tapa pelo show (!) da Madoninha brasileira, uma capixaba que cantava versões em português da original. Lembra dela?

Assim como duelo de cowboys, as duas festas cresceram e só haveria espaço para uma na limitada noite do Rio. Sendo assim, a Ploc enterrou a Beat e reinou soberana. Ganhou o ódio do pessoal da Casa da Matriz e de jornalistas como Tom Leão, do Globo, que apoiavam a finada festinha. A Ploc está ativa até hoje, graças a um deprimente público de retardatários (mas muito retardatários mesmo) da onda oitentista.

Com os anos 90 a coisa parece ir pelo mesmo caminho. Há mais ou menos seis anos a Back to the 90´s vaga de lugar em lugar, sem muita periodicidade. Já teve a finada Freedom 90 como concorrente, mas não foi o bastante para detonar a celebração da década passada.

barrados no baile

Mas eis que a filipeta da mais recente Back veio com o seguinte aviso: “A original! Não aceite imitações”. O recado tem destino: a Barrados no Baile. Se a Ploc tinha o Bozo, a Barrados tem o Power Ranger e a Banana de Pijama. Enquanto na Ploc o hit da noite era He-Man, na Barrados, é Macarena.

A Back, mais voltada para ex-freqüentadores da Basement e Dr.Smith recebe uma galera mais indie e blasé. Mas não deixa de tocar umas podreiras. Já a Barrados assume o lado mais pop e atrai gente bonita (!). Ainda não vislumbro o momento do choque. A disputa pelo passe do Mister Mu, talvez.

O certo é que os próximos capítulos devem esquentar. Na dúvida, o Grupo Matriz, que já abrigava a Back, acolheu a Barrados.

P.S. – Periga o Sérgio Mallandro pleitear o papel de ícone dos anos 90. Se nos 80 era por causa da Porta dos Desesperados, nos 90 as pegadinhas garantiriam o papel. Rááá!!!

6
Geral

A imunização na Bienal

Domingo termina mais uma sensacional Bienal do Livro. Até lá, milhares de pessoas ávidas por cultura vão superar a falta de transporte público para chegar ao Riocentro, em Jacarepaguá, pedaço do bairro que as imobiliárias insistem em chamar de Barra da Tijuca em prol da valorização de seus condomínios para subemergentes.

Ainda bem que pra quem vai de carro há um mega estacionamento, não importa se desprovido de sinalização e ao custo de 12 reais, mesmo preço da entrada.  Lá dentro, nada como circular em meio a uma multidão de crianças super tranquilas tendo contato com livros de 3 reais, e perceber que naquele momento mágico estão sendo formados futuros leitores e cabeças pensantes do Brasil.

Imagem124

Igualmente comovente é a fila no caixa do stand da Saraiva, cujos preços são os mesmos das livrarias. Também é de se louvar o esforço dos microminieditores, que comprometem todo o orçamento do ano ocupando minúsculos espaços nas beiradas da feira e são solenemente ignorados pelo público.

É sempre intenso esbarrar com as celebridades das letras. Como a Xuxa, por exemplo. Quando soube que ela estava na Bienal, fui atrás de um autógrafo.  Como ela nunca escreveu um livro comprei um, baratinho, e acabei dando de presente pra Sacha.

Este ano há um espaço para crianças chamado Floresta dos Livros. Sugiro que na próxima Bienal seja montada a “Floresta Devastada dos Livros”, onde o público tomaria conhecimento da quantidade de árvores derrubadas para fomentar a magnífica produção literária do país. O espaço teria o patrocínio do e-book.

Pois bem, diante de tantas publicações, pincei os melhores lançamentos da Bienal para você, leitor amigo. Boa leitura!

Imagem117Disparada a grande biografia da Bienal. O Homem “da rosca” conta a história do cearense Erisvaldo Correia dos Santos, que 55 anos depois do suicídio de Getúlio Vargas recolocou o Catete no noticiário nacional vendendo roscas pelas ruas do decadente bairro carioca. Angariou fama berrando bordões e trocadilhos sensíveis como: “Quem quer comer a minha rosca???” e “Minha rosca tá pegando fogo!!!”. Eu já caí de boca e aprovei. Jô Soares e Ana Maria Braga também.

Imagem123

Universo em Desencanto – Uh, uh, uh, que beleza! Sim, meus caros, a seita que inspirou o melhor disco do Tim Maia na década de 70 ainda existe! Os caras alegam que Tim deixou a Cultura Racional por influência negativa de sua banda e depois de exigir (e não conseguir) os direitos autorais dos livros escritos por Manuel, “o maior homem do mundo”.

doençasDoenças de Pele do Cão e do Gato – Diagnóstico Clínico e Histopatológico –para amantes de bichinhos. Rica e fofamente ilustrado. Outra boa dica é o Guia Prático – Para Coleta e Interpretação de Exames Laboratoriais em Cães e Gatos.

Espiritismo e ecologia – o jornalista André Trigueiro prova que abraçar uma árvore não é apenas pansexualismo. É notório o crescimento das editoras espíritas que, de stands escondidos e escuros, veem evoluindo a cada encarnação, digo, Bienal, e hoje ocupam grandes espaços da feira. Agora só falta promover tardes de autógrafos com médiuns psicografando autores que já passaram desta para melhor.

Papai, mamãe, sou gay! – Se você, moça, adora ler os livros da Vange Leonel, ou se você, meu rapaz, amou a peça de teatro da Clarisse Lispector, esse livro pode ajudar a preparar os seus pais para a verdade, se é que eles já não repararam.

velasA magia divina das velas – seria o primeiro livro que eu leria caso precisasse do anterior.

Vela já editou um livro. E quase se arrependeu

Com as tags | 4
O dia em que eu...

Momento loser – o dia em que tomei uma vaia no Canecão

Já tocava havia um tempo com o Perdidos na Selva, talvez a mais ativa banda cover dos anos 80 do Rio. Meu saco pras musiquinhas dessa década já estava murchando, quando a banda marcou um show no Canecão, palco mais tradicional da cidade. Boa! Ia pisar no mesmo palco onde os Ramones bombaram, Echo and The Bunnymen fez o melhor show da história do grupo e Elymar Santos despontou para o estrelato.

Para uma ocasião tão especial, pensei numa sequência matadora. Era setembro de 2005 e o mensalão comia solto. Tive a brilhante ideia: tocar “Lula-lá” seguido de “Inútil” e “Lugar Nenhum”. Seria um protesto e tanto, pensei.

Dusek achou que eu era o seu teclado

Dusek achou que eu era o seu teclado

A banda costumava convidar uma galera famosa em cada apresentação. Naquela ocasião, um deles era o Eduardo Dusek, que ao me ver no camarim não se conteve: “Nossa, você é tããão parecido com o Renato Russo!”. Sorri amarelo e ele felizmente percebeu que ia ser barrado no baile.

Fui para o palco e logo constatei que seria novamente vítima de uma prática comum das casas de show: limitar o som do DJ. O volume não era o suficiente para agitar a galera, nem com aquela indefectível música do Information Society, “Vai tomar no cu”. Meus pedidos eram ignorados pelo maldito sujeito da mesa de som. Já estava puto quando botei em execução a sequência que me consagraria.

“Lula lá, cresce a esperança / Lula lá, o Brasil criança…”

A massa, que até então ignorava minha performance, despertou. As vaias começaram pequenas e logo ecoavam por todo ambiente. Era para ser só um trecho da música. Mas, para piorar a situação, não conseguia achar o cd do Ultraje. Peguei o dos Titãs e taquei “Lugar Nenhum”. Mas a casa já havia caído. Me sentia como se estivesse broxado diante da multidão. Ao menos naquela época câmera digital era artigo de luxo. Não precisei tomar atitudes como Rafael Cortez ou Daniela Cicarelli para manter a minha honra.

Como não há nada ruim que não possa piorar… Depois do show, voltei ao palco para o encerramento. Mas a plateia ensandecida queria a banda de volta. O som continuava baixo e, para deleite da massa, a banda voltou e me cortou no meio da segunda música.

Depois dessa retumbante experiência toquei pela derradeira vez com a banda meses depois, no Mourisco de Botafogo. Era um festival com a participação do meu ídolo e pedófilo DJ Marlboro. Era uma noite de sexta-feira, marcada pelo último capítulo da novela das oito e por um dilúvio. Não preciso nem dizer que foi um fiasco.

DJ Wella atualmente anima festas de swing

Com as tags | 6